Millôr Fernandes, no antigo Pasquim (e em que época!), também discutia essa tal liberdade:
"A liberdade é a condição (e por que não a condução?) fundamental do homem livre.
Sacou? Aquele negócio de ir-e-vir. Peripatético às pampas. Largueza, ensancha e a ânsia de imensos descampados. Tamos aí. Como dizia Herbert Stengley - escritor que estou inventando neste momento - que maravilhoso arcaísmo é a liberdade. (...) Pois todo homem nasce livre, não é mesmo? Naturalmente dependente do pai, da mãe, da classe social e dos acasos genéticos.
Mas decora logo a tabela dos direitos e deveres, faz as contas, e, se leva vantagem, cai de pau em cima dos outros. É assim que é, pô, não vem com essa não.
Ser livre, enfim, é bom notar, não é ser libertado. "Eu te dou toda liberdade", tá na cara, é restrição máxima. Evita, nego. E dobra à esquerda. (...) Será a liberdade apenas uma nostalgia? Uma colagem mal feita de fatos nunca acontecidos? A política da esperança, já, assim, meio desesperada? Uma simples omissão dos poderes vigentes? O Fla x Flu do Possível contra a Aventura? O condicionamento total é a liberdade?"
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